Percurso Rio de Janeiro ↔ Mata Atlântica

Eu aprendi internet fazendo coisas dentro dela.

Quase tudo que sei sobre comunicação, negócios e tecnologia veio antes de virar aula, método ou apresentação. Veio de colocar alguma coisa no ar, observar as pessoas e descobrir o que precisava mudar.

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Não foi um plano de carreira.
Foi curiosidade virando trabalho.

Sou economista de formação. A internet, porém, me ensinou outro tipo de economia: atenção, confiança, comunidade e relevância. Passei boa parte da vida tentando entender como essas coisas circulam — e o que é possível construir quando elas deixam de ser abstração.

O primeiro laboratório

Publicar era experimentar em público.

Quando o Cocadaboa nasceu, publicar na internet ainda parecia uma atividade lateral, um lugar sem manual e com pouca supervisão adulta. Era exatamente por isso que funcionava.

O site começou como espaço de humor e experimentação. Acabou me ensinando sobre linguagem, comunidade, repercussão e os efeitos inesperados de uma ideia quando ela encontra gente disposta a carregá-la adiante.

Não penso nele como certidão de pioneirismo. Foi um laboratório. Ali aprendi que presença digital não é ocupar um endereço: é criar uma relação que continua existindo quando você fecha a página.

Da página para a rua

Uma ideia só existe de verdade quando circula.

Na Espalhe, essa intuição ganhou outra escala. A internet já não era apenas um lugar de publicação; estava mudando como marcas, notícias e pessoas ocupavam a rua e a conversa pública.

Eu havia passado anos observando ideias se espalharem sem pedir licença. O trabalho passou a ser construir condições para que essa circulação acontecesse sem matar o que havia de vivo nela.

Essa tensão nunca foi embora: organização demais esteriliza; improviso demais não vira negócio. Boa parte do que faço até hoje acontece no espaço entre essas duas coisas.

Cada interface pede um negócio

Formato novo exige lógica nova.

A 301.yt nasceu quando vídeo na internet ainda era tratado como uma peça de campanha transferida para outra tela. Eu achava que o valor estava menos no vídeo isolado e mais em criar formatos, canais e relações recorrentes com o público.

A proposta comercial acompanhava a ideia: parte da remuneração dependia do resultado. Não era só uma forma de cobrar. Era uma maneira de dividir o risco e obrigar estratégia e execução a permanecerem juntas.

Depois, CreatorUp e Canal Meio recolocaram a mesma pergunta em contextos diferentes: como uma comunidade se sustenta sem depender inteiramente da plataforma que a reuniu? Formação, assinatura e novas receitas foram respostas práticas, nunca definitivas.

Quando conteúdo deixou de bastar

Produzir mais não resolve perder contexto.

Com o tempo, ficou claro que empresas e pessoas já produziam material demais. O problema estava no que se perdia entre uma conversa e outra, entre uma decisão e sua execução, entre aquilo que alguém sabia e aquilo que o sistema conseguia recuperar.

Na Buzzlabs, isso virou trabalho cotidiano: organizar bases, criar memória operacional e tornar conhecimento legível para pessoas e agentes. A formação Head of Context, na ESPM, dá nome e espaço de conversa a essa tese. Não é o destino final dela; é um dos lugares onde ela é testada.

O fio que liga comunicação e infraestrutura ficou mais nítido: conteúdo chama atenção; contexto permite entendimento; continuidade transforma entendimento em capacidade de agir.

Agora

Hoje eu faço empresas.

Vira Sistema transforma conversas em memória, decisões e continuidade. Playloops transforma método em propriedade intelectual executável. Public Edge transforma publicações feitas com IA em presença própria, com endereço e responsabilidade.

São frentes diferentes com uma aposta comum: a próxima internet não será organizada apenas em páginas para pessoas visitarem. Ela também será feita de contexto que agentes conseguem entender, protocolos que conseguem executar e infraestrutura que permanece sob controle de quem a construiu.

Não tenho muito interesse em transformar o passado num pedestal. Ele funciona melhor como bancada de trabalho.

É de lá que retiro ferramentas, erros e perguntas para construir a próxima coisa. Se quiser entender o que faço hoje, não procure o cargo mais recente. Veja o que está ganhando forma.

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